Sobre mim

Inês Thomas Almeida

Sou musicóloga, doutorada em Musicologia Histórica e investigadora integrada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A minha tese de doutoramento, intitulada: “O olhar alemão: a música em Portugal no final do Antigo Regime segundo fontes alemãs”, sob orientação de Rui Vieira Nery, recebeu do júri a classificação máxima por unanimidade. As minhas áreas de investigação são a música do século XVIII, as relações entre Portugal, Alemanha e Áustria, os salões berlinenses, lisboetas e vienenses, o papel das mulheres na produção e recepção da música clássica, e as redes de circulação de ideias na Europa setecentista.

Comecei os meus estudos de música aos onze anos, no Instituto Gregoriano de Lisboa, onde concluí o curso de música, que tinha o nome pomposo de Curso Geral de Canto Gregoriano. O meu instrumento, que me acompanhou até ao meu exame final de 8º grau, foi o piano, e tive a a sorte de ser aluna dessa grande Pedagoga que é Luiza Gama Santos. Frequentei durante um ano a licenciatura em Formação Musical, na Escola Superior de Música de Lisboa. Quis estudar Canto Lírico, por isso inscrevi-me no Curso de Música da Universidade de Évora, na variante Canto, tendo sido galardoada por dois anos consecutivos (2001 e 2002) com uma Bolsa de Mérito, dada pela universidade ao melhor aluno de cada curso. Decidi prosseguir os meus estudos na Alemanha, tendo feito a licenciatura em Canto na Hochschule für Musik und Theater Rostock. Vivi na Alemanha durante treze anos (entre 2003 e 2016), tendo trabalhado em várias produções de ópera, quer como cantora, quer como assistente de encenação e directora de cena. Fui bolseira da Fundação Yehudi Menuhin Live Music Now, para jovens talentos, e em 2008, fui laureada do Concurso Internacional de Canto Kammeroper Schloss Rheinsberg, entre mais de 400 candidatos de 40 nacionalidades.

Em 2011, acabado de nascer o meu primeiro filho, quis mudar de rumo e criei uma ONG – a Berlinda – para divulgação das culturas dos países de língua portuguesa e apoio social à comunidade de língua portuguesa em Berlim. Nesse âmbito, fui responsável por inúmeras iniciativas de cariz cultural, social e humanitário, desde organização de festivais culturais a workshops de como arranjar emprego em Berlim, e criação de uma rede de visitas regulares a crianças angolanas carenciadas internadas nos hospitais de Berlim. Fui eleita Personalidade do Ano pelo jornal Portugal Post, o jornal português na Alemanha, e recebi vários prémios e distinções por serviços prestados à comunidade (sendo que a maior condecoração é ouvir, hoje, aquelas crianças, que já são adultas, chamar-me de tia).

Regressei a Portugal em 2016 e terminei no passado dia 4 de Outubro de 2021 o doutoramento em Ciências Musicais históricas, que terminei com a classificação máxima por unanimidade (desculpem a repetição mas fiquei mesmo radiante!). Fui bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia durante os quase cinco anos de investigação e escrita da tese. Participo regularmente em colóquios como conferencista, e tenho artigos publicados em revistas com arbitragem científica, quer em Portugal, quer na Alemanha e na Áustria, sobre vários temas relacionados com a música no século XVIII, e não só.

Além de uma intensa actividade como conferencista, tenho também o prazer desmedido de falar sobre música em duas grandes instituições que tanto admiro, e que me estão gravadas na pele desde a infância: a Fundação Calouste Gulbenkian e o Teatro Nacional de São Carlos.

Por fim: nasci na República Dominicana e cresci em Portugal, com dupla nacionalidade e muita mistura de culturas. Sou apaixonada pela investigação, pelo ensino, pela divulgação, e por comunicar e levar a música clássica a novos públicos.